"Cada um que passa em nossa vida,
passa sozinho, pois cada pessoa é única
e nenhuma substitui outra.
Cada um que passa em nossa vida,
passa sozinho, mas não vai só
nem nos deixa sós.
Leva um pouco de nós mesmos,
deixa um pouco de si mesmo.
Há os que levam muito,
mas há os que não levam nada.
Essa é a maior responsabilidade de nossa vida,
é a prova de que duas almas não se encontram ao acaso.”
Com essas palavras de Antoine de Saint-Exupéry dou inicio a uma nova fase da minha história.
-1ª Parte- Quebrando preconceitos.
Alex e Michelle, uma amizade linda e perfeita. Elas também prometeram nunca se separar.Mas o destino não promete nada, ele simplesmente acontece. A mãe de Michelle foi transferida para outra cidade. Mas o lugar de Michelle no coração de Alex nunca foi transferido para mais ninguém.
Nem sempre o destino separa as pessoas para sempre.
10 anos depois, Alex e Michelle se alistaram no exército, como só havia uma base militar no estado se mudaram para a mesma cidade.
Amor. O mais sublime dos sentimentos. Só quem sente sabe reconhecê-lo. O amor ultrapassa preconceitos, distância, idades... Enfim ele é mais forte que nós mesmos.
Elas sentiam isso uma pela outra, e sem pensar no que os outros iriam achar, passaram a viver esse amor.
Uma bela casa, ótimos empregos, muito dinheiro, muito amor. Foi o que elas adquiriram durante 5 anos que passaram a morar juntas. Para muitos, isso era o essencial. Mas faltava algo para elas.
~~*~~
Michelle: Não vou mentir para você Alex... Sinto um vazio nesta casa e em minha vida.
Alex(aflita): Você não gosta mais de mim, Mih?
Michelle: Não, não tem nada haver com você. É que desde criança eu sonhava em ter uma casa assim! Só que... Cheia de filhos, entende?
Alex ficou mais aflita do que já estava. Como duas mulheres teriam um filho juntas? Ela pensou em propor uma inseminação artificial, mas seria muito injusto a criança carregar os genes de apenas uma delas. E só uma carregar a criança em seu ventre. Só havia uma alternativa.
Alex: Poderíamos adotar uma criança!
Michelle: Adotar? Mas e se ela não aceitar ser adotada por duas mulheres?
Alex: Temos que tentar pelo menos!
Michelle: Mas e se ela for humilhada pelos outros?
Alex: Nós a educaremos e faremos com que ela nunca se importe com o que os outros vão achar. Assim como nós.
Michelle: Eu te amo Alex!!! Estou muito empolgada com essa nossa decisão!!!
Alex: Calma que ainda falta decidir várias coisas. O sexo, a idade... Não queria que fosse um bebê, da muito trabalho e nós teríamos que acordar toda noite de madrugada.
Michelle: Prefiro uma menina, os homens são mais preconceituosos... Pode ser entre os 7 a 10 anos! Que tal?
Alex: Basta saber se terá alguma criança assim disponível!
Michelle: Tudo vai da certo, amor!
A assistente social do orfanato falou de várias das garotas que moravam lá. Uma chamou a atenção de Michelle.
Assistente social: A dois dias chegou uma garota aqui. Linda e saudável, ela deve ter 10 anos, não falou nada desde que chegou, não sabemos seu nome pois a assistente que a trouxe não comentou conosco achando que menina iria passar todos os seus dados intimos. Ela não é dessa cidade, e é órfã. Parece sofrer muito, tem um olhar distante, precisa muito do carinho de alguém.
Michelle sabia muito bem como era se sentir rejeitada e só. Sua mãe morreu quando ela tinha 15 anos, fazendo-a entrar em uma grave depressão. Desde então foi morar com uma avó que era bastante doente, impossibilitada de ser uma boa companhia. Quando esta senhora morreu Michelle decidiu que iria se alistar no exército.
Pensando em ajudar essa menina a não entrar em depressão e sofrer como ela sofreu, Michelle deu entrada no processo de adoção.
Michelle só não sabia que a menina na qual a assistente do orfanato falava já havia sofrido bem mais que ela.
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-2ª Parte- Carla Lira.
Amnésia psicogênica, uma dos casos mais estudados da psiquiatria. A mente simplesmente apaga as memórias de uma parte da vida, causando muitas vezes até a perda do auto-reconhecimento, pode ser parcial ou total, durar meses ou anos. Isso ocorre quando passamos por um trauma que não sabemos lidar. Erikah passou por vários.
Todos os momentos bons e ruins da sua vida passaram de uma só vez em sua mente o que acompanhou uma forte dor de cabeça. Quando a assistente social parou o carro na frente do orfanato e disse que ela passaria a morar ali. Uma chuva de emoções fez com que ela perdesse os sentidos. Quando acordou não falou mais nada, e não chorou mais.
~~*~~
Era o dia que Michelle e Alex tanto esperavam. Alex ainda estava no trabalho, já Michelle faltou para aguardar o tão sonhado encontro.
Assim que a garota entrou na casa, Michelle deu um forte abraço nela.
Michelle(Emocionada):Você é linda, deixa eu soltar esse cabelo. Meu nome é Michelle, eu tentarei ser sua nova mãe.
Mãe. Essa palavra fez com que a garota soltasse um sorriso. Sua mente atribuiu aquele nome a uma coisa boa, a carinho.
Michelle: Seu sorriso é lindo. Vou te fazer muito feliz!
Erikah na sabia quem era aquela mulher, mas ouvi-la dizer a palavra felicidade, fez com que ela abrisse um sorriso maior.
Michelle: Não quer falar nada? Não precisa ter vergonha... Vou lhe preparar um lanche. Ok?
A criança acenou concordando.
Quando Alex chegou em casa se deparou com aquela linda menina na sala de estar.
Alex: Olá! Eu sou a Alex! Qual seu nome?
Erikah: Nome?
Alex: Sim o seu nome.
Ela não lembrava, e isso a deixava bastante aflita. Tentou fazer um esforço.
Erikah: É...ca..ca.
Alex: Cacáh?
Erikah(aflita): Não sei.
Alex: Oh meu Deus! Você não lembra! Você gosta de ser chamada assim: Cacáh?
Erikah: É familiar.
Alex: Então vamos te chamar assim, ok?
Erikah:(sorrindo): Pode ser.
Alex: Não precisa te vergonha aqui, ta? Eu e a Michelle seremos uma família para você.
Erikah: Família... O que é uma família?
Alex havia dito para Michelle que não queria um bebê, mas naquele momento percebeu que aquela criança ia precisar dos mesmos cuidados que um.
Alex: Família são pessoas que estão sempre do lado umas das outras, prontas para o que der e vier, dando muito amor e carinho.
~~*~~
Já era noite, tudo tinha ocorrido melhor que o planejado para Michelle e Alex, com exceção do fato da nova integrante daquela família não saber nada do mundo e nem do seu passado, este ultimo fato não era tão ruim para as novas “mães”.
Michelle: Este daqui é o seu quarto, queremos que você fique bastante a vontade. A casa é sua.
Alex: Vamos tomar banho para dormir, depois voltamos para lhe dar um beijo de boa noite, ok?
Cacáh: Tudo bem...
Ela olhava para todo o quarto, sua mente não reconhecia nada ali. Sua mente não reconhecia nada. Aquele parecia ser o primeiro dia de sua vida. Estava confusa, mas não se sentia mas só como no orfanato.
~~*~~
Uma nova vida começava para Carla Lira(Cacáh). Este foi o nome que Michelle e Alex a registraram.
Com o passar do tempo ela desenvolveu uma personalidade, fez amigos, cresceu e aprendeu várias coisas.
Não lembrava do seu passado, e com o passar do tempo deixou de fazer questão. Era feliz naquele lugar e isso era o que importava.
Cacáh completou 5 anos de uma nova vida, mas seu corpo agora era de uma bela jovem de 15 anos, que estava prestes a fazer 16. Tantos anos sem nenhuma recordação da sua infância.
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Laila: Meu filho, você tem que entender que isso significa muito para mim!
Felipe: E os meus sentimentos? Não significam nada?
Laila: Eu sei que as lembranças não são boas, mas já esperamos 5 anos!
Felipe: Laila, eu não quero voltar a morar naquela casa! Não vou me sentir bem lá! Da para entender?!
Laila: Felipe, o seu avô deixou uma herança enorme para mim. A mamãe sempre ganhou bem e nunca precisou tocar nesse dinheiro, mas os tempos são outros! Aquela casa vale uma fortuna, é a mais bela e mais cara de toda esta cidade! Eu cresci lá, sinto saudades, entende? Esse tempo todo eu pensei em você e fiz só o que você pedia, será que pelo menos uma vez você pode pensar em mim?
Felipe: Nesses últimos 5 anos você pensou em mim, mas e o resto? Você já parou pra pensar que tudo que aconteceu na minha vida foi culpa sua? Se você não tivesse traído o papai tudo seria diferente! Tudo!
Laila(chorando): Não faça isso comigo Felipe! Eu amo você, peço perdão todos os dias! E você ainda me trata assim?
Felipe: Olha Laila, não chora não, ta? Eu aceito voltar a morar naquela maldita mansão. Você e o seu marido agora vão ter todo o luxo que sempre veneraram.
Laila: Você não vai se arrepender meu amor!
~~*~~
Laila: Conseguimos! De volta ao lar!
Derik: Adoro esta casa, quando estou aqui me sinto mais rico do que já sou!
Laila: Só não me sentirei bem com a idéia de conviver com o túmulo da minha irmã no nosso jardim.
Derik: Do passado só me lembro o que me convém e agrada, você deveria fazer o mesmo.
Laila: Tentarei... Vamos ser felizes aqui! Eu tenho certeza!
Derik(rindo): Felizes e luxosos! Existe coisa melhor?
Raiva, tristeza, saudades. Tudo aquilo matava Felipe aos poucos. Não teve um dia que ele não pensasse na prima. Quando entrou na casa via-a em todos os lugares, escuta sua voz, sentia o seu cheiro. Tudo aquilo era uma tortura.Laila: Fê, não fique assim meu amor.
Felipe: Como você esperava que eu ficasse? Ela não está aqui. A casa não é a mesma.
Laila: Eu sei que é difícil, mas você tem que aprender a esquecê-la!
Felipe: Eu nunca vou esquecê-la!
Laila: Mas você tem que superar! Já fazem 5 anos! Seria mais fácil ela nos achar do que nós a achar-mos! Se ela ainda não nos procurou é porque deve estar feliz!
Felipe: Você está certa. Ela nem deve mais lembrar de mim...
Felipe estava certo, Erikah não lembrava dele. Mas ela não teve escolha.
Ele continuou tocando sua vida para frente. Era um adolescente esperto e bonito, tinha muitos amigos, e como ele diz: "várias gatinhas aos seus pés". Mas será que o seu coração ia ter espaço para um novo verdadeiro amor?
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-4ª Parte- O Conselho.
Cakáh: Diz.
Cibelle: Vai fazer uma hora que estamos boiando aqui.
Cacáh: E o que é que tem?
Rafael: Já entendi, ela quer ficar negona que nem o gostosão aqui! Mas vai é pegar uma insolação.
Cakáh: Ah Rafa, não tem nada mais relaxante e melhor do que estar aqui!
Rafael(maliciando): Ah..tem sim! Rsrsrs
Cibelle(ironizando): Haha, como você é engraçado! ¬¬
Rafael: Calma amor, eu estou brincando!
Cakáh: Mas o Rafa tem razão.
Rafael(maliciando): Hum...até você admitindo que eu tenho?
Cacáh: Pois é, vamos pegar uma insolação!
Cibelle: Perdeu, amor! Rsrsrs
Cakáh: Você está achando que vai embora? Não vai não!
Cibelle: Amor, vamos ficar mais um pouco! Temos ainda tanta coisa pra conversar!
Rafael: Só porque minha lindinha pediu com jeito!
Cibelle: Você não sabe da novidade, Rafa!
Cakáh: Você vai contar pra todo mundo, Belle?
Rafael: Desde quando eu sou todo mundo? ¬¬
Cibelle: A nossa amiguinha aqui, além de ser linda, pintora e saber tocar piano, ganhou o prêmio de ciências na olimpíada estadual!
Rafael: É mesmo Cacáh? Parabéns!
Cakáh: A Cibelle está exagerando! Mas enfim, uma futura médica tem que dominar química, física e biologia!
Rafael: Então a senhorita pretende fazer medicina!?
Cakáh: É o meu sonho! Sempre adimirei a profissão.
Rafael: Você é a garota mais inteligente que eu conheço, Cacáh, mas você acha que vai conseguir passar estudando naquela escola? Suas mães tem dinheiro, você deveria pedir pra elas pagarem uma escola particular...
Cibelle: Você quer mesmo afastá-la de mim é?
Rafael: Deixa de ser egoísta! O meu tio é diretor da maior escola do estado, tenho muitos amigos lá e garanto que é perfeita! Eu só não estudo lá porque minhas notas não são boas o bastante e ela é ultra seletiva.
Cakáh: Não briguem! A mensalidade dessa escola é uma fortuna, é um sonho para varias famílias ter um salário equivalente a ela! Mesmo minhas mães ganhando bem, eu não teria coragem de pedir.
Rafael: Eu posso pedir ao meu tio uma bolsa para você! Com as suas notas eu duvido que ele não dê!
Cacáh: Não sei se eu quero...
Cibelle: Acorda amiga! Você pode não querer estudar lá, mas ser médica você quer, e isso é mais importante!
Cacáh:Vocês tem razão! Pode falar com seu tio, Rafinha! Ele está convidado para um jantar aqui em casa!
Rafael: É assim que gosto! Garanto que assim que ele tiver tempo ele virá conhecer seus argumentos e verá o grande investimento que fará tendo você como aluna!
~~*~~
Amigos. Esse é o nome dado às pessoas que te colocam para frente e só desejam o seu bem. Cacáh não tinha muitos, mas tinha o essencial. Estes eram perfeitos e fiéis e ela retribuía em dobro a amizade. Há um ano, foi um conselho dela que fez com que Rafael e Cibelle começassem a namorar. E hoje foi um conselho deles que fará com que ela mude o seu destino.
O Jantar foi perfeito, O Diretor Augusto se impressionou com Cacáh, assustou-se um pouco apenas no inicio quando viu que ela era criada por um casal de mulheres, mas isso não mudava a dignidade que ele viu naquelas pessoas.
Augusto: Senhorita Carla Lira, você é o tipo de aluno que nossa escola busca ter. Esperta, criativa e ousada, se você prometer continuar dessa forma eu terei o prazer de oferecer-te um grande desconto nos valores das mensalidades.
Cacáh: Não prometo continuar assim, até por que eu não irei. Meu objetivo é crescer cada vez mais, não é ficar limitada, e sua escola poderá me ajudar a progredir.
Augusto: Falou bem, minha jovem. Em duas semanas começará o segundo semestre de aulas, espero vê-la em nossas unidades.
Cacáh(sorrindo): Será uma honra.
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-5ª Parte- A novata

Alex: Eu estou tão orgulhosa de você minha filha! Quando você chegou aqui era tão calada, tão ingênua, não sabia de nada do mundo. Tinha tanto medo que você não progredisse, e hoje vejo a moça perfeita que você se tornou!
Cacáh: Eu devo tudo que sou a você a e a Michelle, que são a base da minha vida! Vocês me ensinaram tudo que eu sei.
Alex: Nós te amamos muito, filha.
Cacáh: Me deseje sorte!
Alex: Toda desse mundo!
Cacáh entrou ansiosa no ônibus. Pensava como seriam os alunos de lá. Ricos e metidos ou Criativos sonhadores? Essa e outras dúvidas passaram na cabeça dela durante todo o caminho. Era o primeiro dia de aula do 3º bimestre, e Carla Lira, estava matriculada no 2º ano “B”.

Foi pega de surpresa quando a professora chamou-a para resolver um problema de física no quadro. Mas não teve nenhuma dificuldade
Profª Alice: Meus parabéns, o gráfico ficou perfeito. Vejo que a senhorita deve ter vindo de uma escola muito boa. Em que cidade você morava?
Cacáh: Na verdade eu sempre estudei e morei aqui em Simcity...
Profª Alice(surpresa): Hum... É... Nossa escola tem o assunto muito adiantado em relação as outras dessa cidade.
Cacáh: Eu sei, mas não me limitava a estudar apenas o que o professor passava em sala. Mas se eu não entender algum assunto por falta do conhecimento de outro eu procuro aprender. Não precisa se preocupar.
~~Durante o intervalo.
Pedro: Você viu como é gata a aluna novata?
Felipe: Só um cego não veria. Linda e inteligente.
Pedro: Você vai lá falar com ela? Se não for, eu vou!
Felipe: Sabe cara... Ela me parece ser tão familiar...
Pedro: Já entendi...Eu deixo ela para você! Mas vai logo antes que eu mude de idéia!
Felipe(Se gabando): Olhe e aprenda.
Felipe planejava chegar naquela garota e dizer o quanto ela é linda e atraente, entre outras cantadas que ele já sabia de có. Depois de conquistá-la, como faz com todas, marcaria de sair e os amassos seriam conseqüência.
Mas, quando chegou na frente daquela garota e fitou os olhos dela algo deu errado. Um sentimento estranho fez com que ele esquecesse de tudo que ia dizer. E ficou lá parado e calado na frente dela.
Cacáh(estranhando): Oi?!
Felipe: Oi.
Cacáh: Qual seu nome?
Felipe(gaguejando): Pode me chamar de Fê.
Cacáh: Olá Fê, meu nome é Carla, mas pode me chamar de Cacáh. Estudo na mesma turma que você.
Felipe:É, eu vi.
Cacáh: Você está pálido, Está se sentindo mal?
Felipe(sem graça): Não, não! Rsrsrs
Cacáh: Então tá... Nos vemos em sala.
Felipe: Calma, vamos nos apresentar direito. Qual seu sobrenome?
Cacáh: Qual a importância de um sobrenome para você?
Felipe: Nenhuma, é por que minha família conhece a cidade quase toda, e nunca te vi por aqui.
Cacáh: Lira, Carla Lira.
Felipe: Lira...hum... Quem são seus pais?
Cacáh: Não tenho pais, tenho mães. Rsrsrs
Felipe: Mães?
Cacáh: Generais Alexandra e Michelle Lira. São minhas mães.
Felipe: Lésbicas?
Cacáh: Alguma coisa contra?
Felipe: Claro que não!
Não dá para entender a mente de um garoto de 16 anos, Felipe estava encantado com a aluna novata mas quando ela disse que vivia em uma casa com lésbicas por algum motivo ele perdeu as esperanças. O que será que se passou na cabeça dele? Nunca foi preconceituoso, sempre respeitou as opiniões dos outros. Algo muito confuso aconteceu.
Cacáh: Que bom, detesto pessoas preconceituosa.
Felipe: Lésbicas tem bom gosto! Rsrsrs Podemos ser grandes amigos!
Cakáh: Seria muito bom, Fê. Depois conversamos mais, ok?
Felipe: Claro! Tchau.
Cacáh sentou-se em uma mesa para lanchar, uma garota pediu para sentar com ela.
Mirian: Então você é minha nova colega de sala, meu nome é Mirian, sou filha do diretor.
Cacáh: Que legal, você deve ser a prima do Rafael!
Mirian: Você conhece o Rafael?
Cacáh: Ele é meu melhor amigo!
Mirian: Nossa, você é a Cacáh que ele tanto fala?
Cacáh: Sou sim. Pode me chamar assim se você quiser.
Mirian:Ok. Ele me falou que você pinta! Poderia entrar no clube de artes da escola!
Cacáh: Ia ser ótimo!
Mirian: Vi que você estava falando com o Fê. Com certeza ele estava dando em cima de você. Não é?
Cacáh: Não, nenhum pouco.
Mirian: Sério? Que milagre!
Cacáh: Ele é muito esquisito, deve ser tímido, mal falou.
Mirian(rindo): O Fê?! Tímido?! Nunca se iluda! Ele é mó galinha! Já o vi ficando com a escola quase toda, e nunca namorando sério com ninguém!
Cacáh: Pois ele disse que podemos ser grandes amigos;
Mirian: Amigos? Estou surpresa! Nunca vi o Fê com uma amizade do sexo feminino.
Cacáh(rindo): Então serei privilegiada, agora sim me deu vontade de fazer amizade com ele!
Mirian: Nenhuma menina passa dois dias com o Fê sem ficar com ele. Cuidado para não se apaixonar! Rsrsrs
Cacáh: Ele não faz meu tipo, gosto de garotos inteligentes.
Mirian: Temos um problema então, ele é o mais inteligente da turma.
Cacáh: Hum... Agora sou eu quem está surpresa!
O sinal tocou e todos voltaram para a sala.
~~*~~
A aluna novata realmente se destacou. Mas isso sempre fora comum para ela. Incomum tinham sido as atitudes de outra pessoa.
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-6ª Parte- Como Amigos de Infância.
Felipe: Pois foi, falei na moral!
Cacáh: Você é louco! E ela ainda ficou com você?
Felipe: 4 vezes.
Cacáh(rindo): É muita cara de pau! Você é safado, viu?
Felipe: Ela e a irmã concordam com você.
Felipe e Cacáh caíram em gargalhadas. Esses tipos de conversas entre muitas outras dos mais variados assuntos viraram rotina para eles.
Havia uma sintonia enorme entre os dois, e a amizade surgiu de uma forma rápida, porém sincera. Quem os via conversando nos clubes, festas ou na escola achava que eram amigos de infância.

Cacáh: Como você diz para seus amigos antes de atacar uma pobre garota: Olhe e aprenda!
Felipe: Quero só ver! Se você derrubar todas lhe concedo um pedido, caso contrário quem terá direito ao pedido serei eu!
Cacáh: Apostado.

Cacáh: STRIKE!!!
~~*~~

Dois meses atrás, ninguém acreditaria se dissessem que Felipe Mayer está tendo amizade, sem segundas intenções, com uma garota.
Eles saiam juntos para todos os lugares e Cacáh era invejada por todas as garotas com quem Felipe já ficou ou pretendia ficar.
Felipe: Cacáh, você me acha bonitinho, lindo ou super gostoso?
Cacáh(rindo): Não acredito que você me perguntou isso!
Felipe: Vai, diz! Você nunca comentou nada.
Cacáh: E se eu disser que acho feio?
Felipe: Estará mentindo.
Cacáh: Convencido! Mas você não é tão feio não... é até um pouco charmosinho.
Felipe: Só um pouco? E o que eu preciso fazer para ser lindo. rsrsrs
Cacáh: Tirar esses pelos do seu rosto seria um bom começo, são poucos, mas fazem diferença se uma garota for passar a mão.
Cacáh passou a mão no rosto do seu amigo sentindo sua pele. Fazia dois meses que estavam íntimos, mas nunca tinham tocado diretamente um no outro. Felipe sentiu um certo nervosismo, mas tentou disfarçar.
Felipe: Como você quiser, mas eu achava que as mulheres gostavam de um ar de maturidade, como a barba.
Cacáh: Eu acho feio. Mas... e eu?
Felipe: Você o quê?
Cacáh: O que eu tenho que fazer para ficar mais bonita?
Felipe: Suas parceiras gostam de você mais feminina?
Cacáh (estranhado): Minhas parceiras? A Mirian? Acho que sim, né?
Felipe: Você tá junta com a Mirian?
Cacáh: Já vai fazer 3 meses, bocó! Você não repara as coisas não?
Felipe: Eu via você andando com ela, mas não sabia que eram tão intimas.
Cacáh: Nós somos. Mas voltando ao assunto, você acha que eu ficaria bem se pintasse o cabelo de vermelho?
Felipe: Nem, só presta natural, detesto cabelos artificiais!
Cacáh (rindo): Como uma pessoa que diz detestar cabelos artificiais está saindo com a Danielle? Aquilo é pura água oxigenada!
Felipe: Ah, mas ela é super gostosa! Até você deve ter vontade de pegá-la!
Cacáh(rindo): Você é um comediante, Fê! Não suporto aquela garota, ela é muito metida e fútil! Não sei como você agüenta ficar com ela.
Felipe(rindo): Ela fica linda quando eu calo a boca dela.
Ambos riram. Conseguiam se divertir falando sobre qualquer assunto.
Aquele garoto estranho que ficou parado, sem dizer nada, na frente de Cacáh há alguns meses, acabou se tornando o seu amigo mais tagarela e animado. A vida tem dessas coisas, tudo acontece de onde menos se espera.
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-7ª Parte- “A oxigenada” 
Iumy: Deve ser por causa daquela baranga CDF com quem ele ta andando!
Danielle: Com certeza! Se eu topo com ela... Ah ela vai escutar poucas e boas! Quem ela pensa que é para ficar andando por aí com o MEU Fê!
Iumy: Vocês estão namorando sério!? Por que você não me disse, amiga!?
Danielle: Ainda não estamos, mas não é por muito tempo.
Iumy: Hum... Você não acha que ele está te enrolando não?
Danielle: O Fê só me enrola nos braços, nunca de outra forma, viu?
Iumy: Ok... Se você acha.
Danielle: Olá Carla.
Cacáh: Bom dia Danielle.
Danielle: Que bom que nos encontramos sozinhas aqui no banheiro, queria muito falar com você.
Cacáh: Não tenho muito tempo, combinei com o Fê de nos encontrarmos no refeitório.
Daniellle: Era justamente sobre isso que eu queria falar! Você não tem vergonha de sair por aí com o namorado das outras não?!
Cacáh: Namorado? De quem você está falando? O Fê não é e nunca foi namorado de ninguém, até parece que você não conhece a peça!
Danielle: Mas é muito vadia mesmo!

Cacáh: Do que você me chamou?
Danielle: Se afaste do meu Fê! Se não você vai ouvir e sentir coisas muito mais pesadas.
Cacáh: Eu poderia muito bem sentar minha mão na sua cara, vagaba oxigênada, mas não vou sujar minhas mãos e meu nome dentro dessa escola com uma coisinha como você.
Cacáh saiu estressada do banheiro, era só o que faltava para ela: Uma iludida ciumenta ameaçando-a.
~~Naquela noite.
Felipe: Dani, você se superou hoje, veio pronta para me matar!
Danielle: Hum...que bom que você gostou.
Felipe: Eu adorei. Vem cá, vem.
Danielle: Fê, você gosta de ficar assim... Sozinho comigo?
Felipe: Não tem nada melhor! Vamos falar menos e curtir mais, linda.
Danielle: Calma gatinho, vamos sentar para conversar.
Felipe: Conversar? Para que conversar se podemos fazer coisas melhores?
Danielle: Ai Fê, a gente mal conversa, nós vamos ter tempo para namorar! São só uns minutinhos...
Felipe: Ok, mas vou cobrar muitos beijos depois.
Danielle: Você sabe que eu não resisto, vou beijar antes, durante e depois de conversarmos!
Felipe: Ótimo!
Felipe podia ser sedutor e galanteador, mas Danielle era, além de tudo isso, bastante determinada e jogadora. Tudo que queria ela tinha, mas conseguir namorar com Felipe era o seu maior desafio.
Felipe: Dani, não vá deixar marcas!
Danielle: Calma, só deixo marcas na memória.
Felipe: E como são boas!
Danielle: Sabe Fê, já fazem tantos meses que estamos ficando...Acho que já está na hora de avançarmos um pouco nossa relação.
Felipe(maliciando): Opa, adoro avançar!
Danielle: Calma, esse tipo de avanço que você quer vem só depois de outro!
Felipe: Não estou te entendendo, gatinha.
Danielle: Para você me ter por completo você precisa ser só meu também.
Felipe levantou-se rapidamente, ele não queria compromisso com ninguém e já tinha entendido aonde ela queria chegar.
Felipe: Nós já conversamos sobre isso! Eu já disse que não quero namorar!
Danielle: Mas eu pensei que isso fosse antes! Nós nos damos tão bem!
Felipe: Estamos ótimos só ficando, se namorarmos estraga!
Danielle: Não estraga nada! Só vai melhorar e aquecer!
Felipe(frio): Não e ponto final.
Danielle estava arrasada, tentava não demonstrar, mas não conseguia. Desolada, resolveu apelar para o lado emocional.
Danielle(chorando): Então saiba que nunca mais vai me ter de forma nenhuma, acabou sem nem ter começado! Não me procure mais! Agora quero que saiba que você perdeu uma garota linda e que faria tudo por você, te respeitando e amando! Se você me quiser novamente, vai ter que ser como namorada!
Felipe não sentia nada além de atração por aquela garota, mas não suportava ver ninguém sofrendo, se fosse com outra garota com quem estivesse ficando a pouco tempo não se importaria, mas faziam 8 meses que ele ficava com Danielle. Mesmo sabendo que se arrependeria depois, ele resolveu dar uma chance aquela garota que se dizia apaixonada.
Puxou-a pelos braços e derrubou-a no sofá; Com um longo e ardente beijo realizou o desejo da garota mimada que confirmou para si mesma que conseguia tudo que queria,
Mas estava enganada, havia algo que ela nunca iria ter: O amor daquele garoto.
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-8ª Parte- O Pen-driver.

Felipe: Nós já estávamos ficando a 8 meses, sabe? E ela gosta mesmo de mim...Ah, sei lá... Resolvi me aquietar um pouco.
Cacáh: Resolvesse se “aquietar” ao lado de outra garota! Detesto essa menina, você acredita que ontem no banheiro...
Danielle: Amor, estava ali com a Iumy e ouvi meu nome, é tão fofo saber que o meu namorado fala de mim para as amiguinhas.
Cacáh: Na verdade...
Felipe(interrompendo): Na verdade eu estava contando como foi perfeita nossa noite ontem.
Danielle: Que lindo! Fê, você passa todos os intervalos da escola com a Carla ou com Pedro, que tal ficar hoje com a sua namorada?
Felipe: Você se importa, Cacáh?
Cacáh: É...
Danielle(interrompendo): Claro que ela não se importa! A Carla é uma garota muito legal.
Danielle puxa Felipe e ambos saem juntos. Cacáh estava pronta para dizer um palavrão, porém Pedro chegou e sentou ao seu lado, e isso a fez se conter.
Pedro: Oi Cacáh! Tudo bom?
Cacáh: Tudo Péssimo! Aquela vagaba oxigênada quer afastar o Fê de nós dois a qualquer custo!
Pedro: De mim pelo menos não. Ela até me chamou para ir ao cinema com ela, ele e com a Iumy amanhã.
Cacáh: Então a cisma dela é só comigo? Era só o que me faltava!
Pedro: Se eu não te conhecesse diria que esta morrendo de ciúmes.
Cacáh(levantando-se): Ciúmes, eu? Claro que não!
Pedro: Vai para onde?
Cacáh:Vou atrás da Mirian para terminarmos o trabalho em dupla que o prof. de história passou.
Pedro: Ai meu Deus, o trabalho! Vou atrás do Fê também, ainda nem começamos!
Cacáh: Ótimo, pelo menos assim você o afasta daquela coisa lá.
Pedro(rindo): Essa Cacáh! Guria ardilosa!
~~*~~
~~Horas depois.
Pedro: E aí cara? Já terminou esse “troço” aí?
Felipe: Já, estou só terminando umas anotações.
Pedro: Essa droga de escola não deixa nem a gente entrar no orkut!
Felipe ri e sai apressado com o amigo.
~~*~~
Mirian: Temos que terminar esse trabalho hoje! Você tem noção do que isso significa?
Cacáh: Calma amiga, aqui na biblioteca da escola tem uma enciclopédia instalada no PC que é perfeita! Com certeza vai ter tudo nela!
Mirian: Assim espero!
Como previa, Cacáh achou tudo que precisava para seu trabalho no computador da biblioteca. Mas além das informações achou outra coisa bastante interessante.
Mirian: Vamos logo, Cacáh!
Cacáh: Esqueceram um pen-driver conectado aqui no PC, vou ver o que tem dentro para saber de quem é.
Mirian: Isso é invasão de privacidade.
Cacáh: Se eu não olhar não vou saber de quem é!
Mirian: Tem uma pasta com fotos, olha.
Cacáh: É do Fê! Aff tem até fotos da Danielle de biquíni!
Mirian: Olha tem uma pasta com o nome confidencial. Abre!
Cacáh: Mas se é confidencial ele não quer que vejam!
Mirian: Abre logo!
Cacáh: São documentos do word, todos com o nome "Erikah".
Mirian: Hum...quem será? Deve ser baixaria! Nome de mulher em uma pasta “confidencial” no pen-drive do Fê...Rsrsrs coisa boa é que não é!
Quando Cacáh abriu o documento ficou surpresa, eram belos poemas todos dedicados a tal da “Erikah”.
Cacáh(lendo): “ _Sonhos... Meus tão amados sonhos que tanto venero. Só neles posso te ver, só neles posso sentir o teu cheiro, só neles sinto o toque dos teus lábios. Vejo seus olhos azuis toda noite em minha mente, parece um oceano que insisto em me afogar. Mesmo depois de tanto tempo não consigo deixar de te amar. Te jurei amor eterno, e hoje, sendo um hipócrita beijo outras, sendo um canalha durmo com outras. Mas é só você que eu quero, é só você que eu espero. Quando irás voltar Erikah? Não agüento mais esperar! Mas esse é meu objetivo de vida, e se for necessário morrerei esperando. Mas que o destino não deixe isso acontecer e permita em meus braços uma vez mais te ter.”
Mirian: São lindos! Não pode ter sido ele que escreveu!
Mirian olha para Cacáh e a vê com os olhos cheios de lágrimas. Um sentimento estranho abalou profundamente o emocional daquela garota, as lagrimas eram quase involuntárias.
Mirian:Amiga, você esta chorando???
Cacáh (enchugando os olhos): Sabe, por um instante eu me senti essa Erikah... Foi tão estranho...
Mirian: Deixa de ser boba, isso é normal, todo livro que eu leio eu me sinto a protagonista.
Cacáh: Quem será que ela era e para onde foi?
Mirian: Só sei que você tem que devolver esse pen-drive! E que, principalmente, temos que imprimir o nosso trabalho!!!
Cacáh: Olha esse outro “_Erikah, queria tanto que minhas ilusões fossem verdadeiras. Nelas você lê meus poemas e chora dizendo que vai voltar. Nelas você sente minha falta e deseja poder novamente me tocar. Mas não é verdade...é só uma ilusão. Não existo mais em seu coração! Admita logo para mim! Não me faz mais sofrer assim! Por que nunca me procurou, porque jamais voltou? Não quero acreditar, mas acho que nunca me amou...”
Mirian(Puxando Cacáh da cadeira): Olha, vá logo procurar o Fê e pare de invadir a privacidade do garoto! Eu fico aqui e imprimo o trabalho.
Cacáh: Mas...
Mirian: Sem “mas”!
Cacáh estava possuída pela curiosidade, não era fofoqueira, mas quando se tratava da vida dos seus amigos fazia questão de estar por dentro e participar de tudo. Aqueles poemas surpreenderam-na, neles ela viu um lado do amigo que ainda não conhecia. Foi procurá-lo rapidamente, tinha muito ainda para saber.
Cacáh: Fê...Você deixou seu pen-driver no pc da biblioteca.
Felipe: Caraca! Ainda bem que foi você que achou! Obrigada Cacáh...
Os olhos de Cacáh brilhavam de curiosidade e fitavam seu amigo.
Felipe: Aconteceu alguma coisa? Por que você ta me olhando assim?
Cacáh: Eu sei que você vai me odiar, mas... eu li seus poemas.
Felipe(irritado): Você o quê?
Cacáh: Eles são lindos, perfeitos! Não paro de pensar neles.
Felipe(irritado): Você não podia ter feito isso!
Cacáh: Não fica com raiva de mim Fê...Eu sou sua amiga, desabafa comigo...quem era Erikah?
Felipe(furioso): Você vai esquecer o que você leu! E não vai contar para ninguém que eu faço poemas! Está me ouvindo?!
Cacáh: Não da para esquecer, eles são perfeitos. Você devia...
Felipe: Eu devia bater em você! Nunca mais mexa nas minhas coisas!
Cacáh(chocada):Você quer saber o que eu acho? Você não pode brigar com sua melhor amiga por causa de uma garota que não quer nem saber de você!
Felipe: CALA A SUA BOCA! A Erikah é minha melhor amiga, você não é ninguém comparada a ela!
Cacáh: Então fique sofrendo com a sua Erikah e nunca mais me procure!
Felipe: Eu não preciso de você!
Cacáh conteve as lágrimas que queriam sair do seu rosto e jogou o pen-drive de Felipe no chão. Ele o apanhou e saiu enfurecido.
Felipe não tinha noção da gravidade do erro que cometeu. Tentava esconder de todos que um dia amou, que um dia viveu um sentimento infantil e puro, e que principalmente que esse sentimento ainda vivia. Temia que seus amigos o achassem um bobo sentimental e deixassem de andar com ele. Depois de algum tempo percebeu que a única pessoa que jamais o abandonaria, seja lá qual fosse sua personalidade, foi justamente aquela com quem ele finalizou a amizade por causa do seu “temor”.
Em casa, Felipe vê retratos que tirou com Cacáh e lembra das coisas que falou para ela.
Felipe(aflito): Cacáh, por que você foi tocar na minha ferida? Agora eu é quem lhe feri...
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-10ª Parte- O sonho
Erikah(quase chorando): Você não gosta de mim Lipe???
Felipe: Gosto! Gosto muito, mas gosto de um jeito que você ainda não entende! Por isso que não quero ser seu irmão! Mas pelo que eu vejo você nunca vai gostar de mim da mesma maneira!
Erikah: Engano seu! Eu gosto muito de você, e senti um aperto enorme no meu coração só em pensar que você não gostava de mim! Eu entendo que você não queira ser meu irmão, e no fundo admito que também não queria ser tua irmã...
Felipe(vermelho): Mas eu não quero ser teu irmão por que.... eu gosto de você que nem o papai gosta da tia!
Erikah(vermelha):E agora? O que é que a gente faz?
Felipe: Acho que isso...
Felipe:Coloque suas mãos sobre as minhas. Promete que nunca que vai me esquecer, que nunca vai me deixar?
Erikah: Como poderia te esquecer ou deixar? Prometo meu coração a você.
Felipe: Eu também prometo.
~~Felipe: Eu te amo, Erikah.~~
Michelle(preocupada): Te acordei filha? Desculpa! Vim só pegar aquele hidratante...
Cacáh: Não, Mih. Foi só um... Pesadelo.
Michelle: Você está bem? Está suando muito! Parece nervosa.
Cacáh: Não se preocupe... Eu estou bem.
Michelle: Pois volte a dormir, amanhã você tem aula.
Cacáh: Não vou para aula amanhã... Não estou me sentindo bem.
Michelle(nervosa): Agora não entendi mais nada! Ora você diz que está tudo bem, ora diz que não está! O que aconteceu? Você acha que eu não te ouvi chorando antes de dormir? Você brigou com alguém? Alguém lhe fez mal?
Cacáh: Só não quero ir para aula!
Michelle: Você nunca faltou aula, tem algo errado! Sou sua mãe, você pode contar comigo para tudo!
Cacáh: Eu briguei com o Fê, e não quero vê-lo amanhã! Preciso de um tempo para por minhas idéias no lugar...E queria muito ver a Cibelle, nunca mais ela veio aqui!
Michelle: Como você quiser... Só não esqueça de como você lutou para estudar nessa escola! Não jogue fora essa oportunidade por causa de uma briguinha com o namoradinho.
Cacáh: Ele não é e nunca vai ser meu namorado! Nem importante ele é! Só quero descansar! E preciso que você saia do meu quarto para isso!
Michelle sai do quarto de Cacáh. Esta fica com a consciência pesada por se grossa com sua “mãe”, mas aquele sonho confuso tinha deixado-a bastante estressada.
Não conseguia mais dormir, passou horas tentando decifrar tudo aquilo. Nada fazia sentido, e o fato de Felipe ter chamado-a de “Erikah” a perturbava muito.
~~*~~

Cibelle: Amiga, eu estava morrendo de saudades!!! Agente mal se fala agora que você está estudando naquela escola para patricinhas e nerds!
Cacáh: Ow Belle... Não fala assim que eu me sinto culpada! E além do mais, a gente se fala todo dia pelo MSN!
Cibelle: Nada se compara a estar aqui do seu lado! Por que não foi para a aula hoje?
Cacáh: Briguei com o Fê...
Cibelle: Mas você dizia que gostava tanto dele!
Cacáh: E é por isso que estou triste. Na verdade foi ele quem brigou comigo...
Cacáh contou como foi a discussão com Felipe e o quanto ela ficou magoada com tudo aquilo. Mas o principal assunto era o sonho da noite anterior.
Cibelle: Hum... Você sonhou com ele? Isso está cheirando a romance!
Cacáh: Até você? Nem vem... Se você não parar eu não termino de contar!
Cibelle: Ta bom, eu paro. Mas me conte todos os detalhes!
Cacáh: Era tudo muito confuso...Estávamos em um lugar muito bonito e ele dizia que não queria ser meu irmão, que gostava de mim de outra forma, que não queria que agente se separasse... Só que o mais estranho é que era tudo muito familiar, tipo uma lembrança, entende?
Cibelle: Talvez o “irmãos” seja tipo “melhores amigos”, talvez ele queira ser mais que um amigo!
Cacáh: Ah não sei... O Fê nunca demonstrou nada diferente por mim...
Cibelle(Ansiosa): Me conta o final do sonho!
Cacáh: Aí ele me beija...E pede para eu prometer que nunca vamos nos separar
Cibelle(supresa): Beija?! Você sonhou beijando-o?
Cacáh: Aff, deixa eu terminar! Depois que eu prometo, ele me beija novamente, só que aí vem a pior parte do sonho! Ele me chama de Erikah! Erikah, a garota dos poemas! Da para acreditar?
Cibelle: Vou ser bem sincera com você, não é nada normal você sonhar ficando com seu amigo sem ser afim dele. E sentir ciúmes por ser chamada por outro nome no sonho é pior ainda.
Cacáh: Mas por incrível que pareça... Eu não sentia ciúmes durante o sonho... Na verdade eu me sentia realmente a tal Erikah.
Cibelle: Piorou! Você deseja ser ela!!!
Cacáh não respondeu mais nada. Nunca esteve tão confusa em relação aos seus sentimentos. Estava com muita raiva de Felipe e isso a deixava muito mal. Porém, o que mais a deixava cismada era o fato de não parar de pensar nas emoções que sentira durante o sonho. E o beijo... Ah, aquele beijo. Esse sim ela não tirava do pensamento.
Cacáh não imaginava, mas seu cérebro tinha dado naquele dia um passo muito importante. O sonho era a primeira lembrança que depois de tantos anos teve do seu passado, porém, ela ainda nem imagina isso.
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-11ª Parte- Um Trabalho Escolar.
Danielle: Bom dia amor!
Felipe(frio): Bom dia.
Danielle: Até que fim é sexta feira!
Felipe: É...
Danielle: Aff, você está muito para baixo esses dias! E pior, ta no mundo da lua! Nem reparou que eu pintei o cabelo! E olha que já fazem 3 dias!
Felipe: Pintou? Mas não tem diferença nenhuma...
Danielle: Claro que tem! Nossa você ta muito chato! Temos que combinar algo bem legal para esse final de semana, só assim a gente se diverte!
Felipe: Podíamos jogar boliche!
Danielle: Eu falei em alguma coisa legal! Não tem nada mais chato que boliche, você fica levantando aquelas bolas pesadas e acabando sua coluna parar derrubar uns pinos idiotas. Seja mais criativo, né Fê?
Felipe: Então poderíamos ir pescar...
Danielle(rindo): Pescar? Você ta brincando comigo, né? Deixa que eu escolho um programa decente para a gente! Podemos ir ao shopping!!!
Felipe: Ah Dani, agora que eu me lembrei! Eu tinha combinado com o Pedro de irmos ver um jogo!
Danielle(irritada): Sério? Pois a Iumy me disse que ia passar o final de semana todinho com ele em uma casa de praia. Desde quando você inventa desculpas para não sair comigo???
O sinal toca e livra Felipe de ter que responder a sua namorada. Na verdade toda sua falta de animação tinha um nome: Saudades. Nunca pensou em como Cacáh faria falta. Ele estava muito mal pelas coisas horríveis que a falou, e a saudade apertava quando ele lembrava de tudo que faziam juntos.
Mas como pedir desculpas? Fazia apenas uma semana que não se falavam, mas para eles esse tempo era uma eternidade. O orgulho é o maior inimigo das pessoas. Nem todos tem a capacidade de admitir que erraram, e Felipe e Cacáh não são diferentes.
~~*~~
Aula de Biologia.~~
Profª. Vilma: Esse bimestre eu passarei um trabalho em dupla importantíssimo sobre os sistemas do organismo humano. Irei sortear agora as duplas, o tema de cada uma e a data de apresentação.
Cacáh(cochichando com Mirian): Assim espero! Vamos torcer!
Profª. Vilma: Danielle Nóbrega e Mirian Rosado.
Mirian(cochichando com Cacáh): Ai que droga! Não vou agüentar essa patricinha insuportável!
Cacáh(cochichando com Mirian): Meus “pêsames” amiga. Pelo menos não fui eu quem ficou com ela! Rsrsrsrs
Mirian(cochichando com Cacáh): Ah é? Tomara que você fique com uma pessoa bem ruim!
Profª. Vilma: Carla Lira e Felipe Mayer.

A professora pegou Felipe e Cacáh de surpresa. Várias sensações invadiram suas almas: desespero, angústia, alegria e medo. Agora eles eram obrigados a voltarem a se falar. Se isso era bom ou ruim, nem eles sabiam.
Intervalo~~
Quando saia do banheiro Cacáh deu de cara com Felipe. Mais cedo ou mais tarde eles teriam que se falar para combinarem como seria feito o trabalho. Aquela era a hora.
Felipe: Oi.
Cacáh: Oi.
Felipe: É...Temos que combinar como e onde faremos o trabalho...
Cacáh: A biblioteca é fechada nos finais de semana, tem que ser na casa de um de nós dois.
Felipe: Poderia ser na minha...
Cacáh: Não, prefiro que seja na minha.
Felipe: Como quiser.
Cacáh: Amanhã às 15horas, você sabe o caminho.
Felipe: Ok...
Cacáh: Tchau.
Os dois se sentiam incomodados com aquele diálogo frio e seco. Tanto ele quanto ela queriam acabar logo com aquilo.
Quando Cacáh saia Felipe chamou seu nome e ela se virou rapidamente.
Felipe: É... Me... Dê-me a lista de coisas que eu tenho que levar.
Cacáh: Não precisa levar nada. Eu tenho tudo.
Cacáh saiu decepcionada, por um segundo pensou que ouviria um pedido de desculpas e quando percebeu que se enganara saiu apressada. O que ela queria ouvir só era escutado nos pensamentos de Felipe.
~~*~~
Quantas vezes seria mais fácil simplesmente não pensar? Talvez se Felipe tivesse falado o que pensou naquele momento, Cacáh não tivesse saído mais triste do que já estava por causa dele. Talvez ela tivesse ido abraçá-lo e pedi-lo perdão por ter mexido em suas coisas. Talvez ela dissesse que sonhou todos os dias com ele e não o esqueceu por nenhum minuto. Mas a vida não é feita de “talvez”. Nada daquilo aconteceu naquela manhã.
Dois jovens foram para suas casas ansiosos pelo dia seguinte, cada um carregando consigo a dúvida entre ouvir o coração ou o orgulho.
Nada melhor que um dia após o outro? Ou nada melhor do que não deixar para amanhã o que se pode fazer hoje? Ambos optaram pela primeira opção, embora seus corações discordassem.
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-12ª Parte- O Sistema Circulatório.
Laila(sarcástica): Olá filho sumido que não para mais em casa!
Felipe: Agora não! Estou atrasado.
Laila: Já vai sair?
Felipe: Vou sim.
Laila: Com aquela sua namorada linda? A Danielle e você formam um casal perfeito, meu filho! Depois da nossa, a família dela é a mais rica de todo o estado, além da influência enorme que eles exercem!
Felipe: Não, Laila, não vou sair com a sua queridinha! Vou fazer um trabalho!
Laila: Você quer que eu vá lhe deixar?
Felipe: Não precisa.
Felipe: Até você com essa agora? Por que vocês mulheres tem essa necessidade de ouvir todo mundo falando dos seus cabelos?! Você é igualzinha a Danielle! Já basta ter agüentá-la na escola e agora você em casa? Vou logo sair daqui antes que enlouqueça!
Todo esse estresse de Felipe era relacionado ao nervosismo e a ansiedade que estava sentindo por causa do trabalho de Biologia que teria que fazer com Cacáh. Saiu de casa apressado pensando no desconforto que sentiria na casa de sua ex-amiga.
Cacáh: Boa tarde.
Felipe: Boa tarde, desculpa o atraso.
Cacáh: Eu já esperava isso, não estou surpresa. Vamos fazer o trabalho no escritório, ok?
Felipe: A casa é sua, você decide.
Cacáh: Me acompanhe.
Cacáh: Então, ficamos com o sistema Circulatório. Artérias, veias, capilares, vasos linfáticos e o Coração, meus futuros objetos de trabalho! Rsrsrsrs
Felipe: Então estou sentado ao lado de uma futura médica?
Cacáh: Médica Cardiologista!
Felipe: Uma ousada e ótima escolha.
Cacáh(sorrindo): Eu sei!
Naquele momento os dois sorriam um para o outro, foi apenas um curto período até lembrarem que estavam brigados e voltarem a falar do trabalho como se nada tivesse acontecido.
Cacáh: É responsável por conduzir elementos essenciais para todos os tecidos do corpo: oxigênio para as células; hormônios, que são liberados pelas glândulas endócrinas, para os tecidos; condução de dioxido de carbono para sua eliminação nos pulmões; coleta de excreções metabólicas e celulares; entrega de excreções nos orgãos excretores, como os rins; transporte de...
Felipe(interrompendo): Quando eu era criança eu achava que a única função do coração era bombear emoções. Quando o coração de uma pessoa parava era porque ela havia perdido a capacidade de amar e assim a vida não teria mais sentido, por isso ela morria.
Cacáh: Até hoje pensamos assim, só que ninguém admite. Comprovamos isso quando colocamos a culpa de tudo no coração.
Felipe: São metáforas. Quando digo que meu coração ficou um pouco mais vazio desde que brigamos, estou querendo dizer que eu sinto sua falta.
Felipe não sabia da onde tinha tirado coragem para falar aquilo, falou sem pensar, mas disse o que queria dizer. Cacáh não demonstrou nenhuma mudança fisicamente, mas por dentro o seu coração desempenhava sua verdadeira função mais rapidamente.
Cacáh(trêmula): O que disse?
Felipe: Você entendeu... Me perdoa.
Cacáh: Você me magoou muito! Não confiou em mim, mostrou com todas as letras que não me considera sua amiga, gritou comigo e até me ameaçou!
Felipe: Erikah era minha prima e meu primeiro e único amor, ela se foi. Esse assunto me pertuba, você é a primeira pessoa que estou contando, isso não prova que eu confio em você?
Cacáh ficou perplexa, não sabia se pedia perdão por ter lido os poemas, se pedia desculpas por ter lembrando um assunto tão triste ou se dizia o quanto estava feliz por ele ter contado.
Cacáh(emocionada): Eu também senti sua falta, Fê.
Felipe: Olha não vá chorar, heim! Não aguento ver mulheres chorando! Aja como um macho! Rsrsrs
Cacáh(sorrindo): Sou mais macho que muito homem, meu amigo!
Colocaram as mãos umas sobre as outras selando a volta daquela bela amizade.
Terminaram-se as desculpas, terminou-se o trabalho. A única coisa que não foi encerrada por completo foi o assunto. Cacáh não queria perguntar sobre Erikah naquela hora, mas isso não queria dizer que não estivesse repleta de curiosidades.
Horas depois~~
Felipe: O dia foi melhor do que eu podia imaginar.
Cacáh: Concordo! Vamos sair amanhã? Saudades de te vencer no boliche! Você me deve vários pedidos que eu ganhei em várias apostas!
Felipe: Desse jeito eu viro seu escravo!
Cacáh: Quero usar três pedidos nesse momento! O primeiro é que você vai ter que me jurar que nunca mais vamos brigar, o segundo é que você vai sempre confiar em mim!
Felipe: Isso é mole, e o terceiro?
Cacáh: Eu sei que esse assunto te deixa triste, mas eu queria muito saber mais sobre a Erikah... Felipe: Ela era minha moleca... A gente era como unha e carne, nos criamos juntos e quando eu completei 10 anos percebi que eu tava “gostando” dela, como as crianças dizem. O mais legal é que ela gostava de mim também, e isso se tornou um sentimento lindo e puro, algo que eu nunca mais senti.
Cacáh: Ela devia ter sorte de ter alguém que gostasse dela desse jeito.
Felipe: Sorte é uma palavra extinta na minha família. Cacáh, depois a gente se fala, já esta tarde, tenho que ir para casa.
Cacáh: Ok... Boa noite.
Felipe: Boa noite.
Realmente o coração tem o poder de unir as pessoas, mesmo que indiretamente. Mas será ele capaz de ser mais forte que o destino?
Se dependesse da felicidade que aqueles amigos estavam sentindo, ele teria a capacidade de ultrapassar qualquer coisa.
-13ª Parte- A Pintura.
~~Segunda feira, final de aula.
Cacáh: Depois que fizemos as pazes passamos horas conversando e no domingo saímos juntos, é tão bom estar de novo ao lado dele, eu me sinto tão bem, tão feliz!
Mirian: Ai meu Deus! Eu não acredito!
Cacáh: Não acredita em quê?
Mirian: No que você está me dizendo!
Cacáh: Mas é verdade, por que eu mentiria?
Mirian: Não me refiro a vocês fazerem as pazes, sua boba! Não acredito que você está se apaixonando por ele!
Cacáh: Claro que não! O Fê é só meu amigo, meu amigo que eu adoro!
Mirian: Seu amigo que você ama!
Cacáh: Até você com essa agora?
Mirian: Até eu? Então tem mais gente que concorda comigo?
Cacáh: Aff, vou correndo em casa me trocar pra depois voltar para a aula de pintura.
Mirian: Você quer é fugir do assunto!
Cacáh: Tchau! Nos vemos mais tarde.
Mirian: Hum...FUJONA!
Cacáh ficava chateada cada vez que alguém atribuía os sentimentos que ela sentia por Felipe ao amor. Na verdade, no fundo ela concordava, só que não queria acreditar que esse sentimento estivesse surgindo e evitava falar sobre ele. Mas era inevitável, toda noite continuava tendo sonhos estranhos e em todos ele estava lá. Fugir dos amigos era fácil, mas fugir da realidade estava ficando cada vez mais difícil.
~~Aula de pintura.
Profª. Wal: Como todos sabem, meu bebezinho vai nascer em poucos meses e precisarei me ausentar por um tempo.
Rebeca: As aulas vão acabar?
Profª. Wal: Claro que não! Hoje irei apresentar o professor substituto de vocês, mas que as meninas nem se animem! Porque ano que vem eu voltarei!
Lucas: Estão batendo na porta, professora.
Profª. Wal: Deve ser ele!
Um homem de aparentemente 40 anos, alto, loiro dos cabelos meio compridos e uma barba que embora grande, não o fazia aparentar ter alta idade. Esse foi o homem que entrou na sala do curso de pintura de Cacáh, mas não foram essas características que ela viu nele, tinha algo mais. Algo que nem ela entendia ou sabia.
Profª. Wal: Boa tarde Professor José. Essa é a sua nova turma. E turma, esse é o seu novo professor.
Prof. José: Boa tarde gente, sei que todos vão sentir falta da professora Waldilene, mas estarei tentando preencher provisoriamente o espaço dela e tentando ensiná-los algumas das minhas técnicas de pintura.
Lucas: Há quanto tempo o senhor pinta?
Prof. José: Há cinco anos que comecei a pintar por causa de um problema de saúde, o médico me disse que seria uma ótima terapia. Mas, quando comecei, descobri que realmente eu tinha talento.
Mirian: Você poderia mostrar esse talento?
Prof. José: Com o passar das aulas mostrarei, hoje quero ver o talento de vocês.
Prof. José: Um isto está ficando muito bom! Muito bom mesmo. Qual seu nome?
Cacáh: Carla, Carla Lira. A professora Wal disse que seus quadros são belíssimos, estou ansiosa pra ver uma das suas obra.
Prof. José: Na casa onde eu moro tem várias. Se você quiser pode ir comigo lá.
Cacáh(receosa): Ah, não sei se devo.
Prof. José: Não precisa ter medo de mim, sou seu professor.
Cacáh: Não tenho medo de ninguém. Só acho injusto que meus outros colegas não possam ver também.
Prof. José: Se você gostar, você divulga. Se eles se interessarem eu os convido também. Chamei você primeiramente porque percebi pelas suas pinturas que você é a que mais entende do assunto por aqui. Adoro alunos dedicados e adoro receber elogios ou críticas vindo de alguém assim como a senhorita.
Cacáh ficou lisonjeada e aceitou o convite. No final da aula foram até a casa onde ele morava.
José: Boa tarde, Flora.
Flora: Boa tarde meu filho, quem é essa menina linda?
José: Minha nova aluna, Carla.
Cacáh: Boa tarde, é um prazer conhecê-la. Sua mãe é muito bonita professor.
Flora(sorrindo): Não sou a mãe dele.
José: Mas é como se fosse. Se não fosse ela não sei o que seria da minha vida.
Flora: Vou fazer um suco para vocês.
José: Vou mostrar para a senhorita Carla as minhas pinturas.
Cacáh (cochichando para José): Para de me chamar de senhorita! Estou ficando sem graça.
José(rindo): Ok.
Quando Cacáh entrou no quarto de José ficou admirada com as lindas obras que viu. Eram quadros enormes e perfeitos espalhados por toda a parede.
Mas teve uma pintura que mexeu bastante com ela, fazendo com que não conseguisse desviar o olhar para mais nada. Pegou no braço de José e apontou para o quadro.
José: Que cara é essa? Parece que viu um fantasma.
Cacáh: É aquele quadro, é perfeito, ela é linda, quem é?
José: Não sei, mas é a musa de todos os meus sonhos. É meu quadro favorito. Foi o primeiro que fiz.
Cacáh: Seus sonhos? Ela é muito familiar.
José: Ela parece muito com você.
Cacáh: Eu conheço essa mulher.
José(Surpreso): Sério? Ela existe de verdade? De onde você a conhece?
Cacáh: Dos meus sonhos.
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-14ª Parte- O Passado.
5 anos atrás, mãe e filha discutiam na calçada de casa. Jasmin era uma jovem sonhadora e queria realizar todos os seus desejos, sua mãe sempre apoiou, mas naquela noite o "sonho" de Jasmin matou sua mãe por dentro.
Jasmin: Eu amo a natureza, só estarei feliz quando puder lutar de verdade por ela!
Flora: Mas você pode lutar pelos seus ideais aqui em Simcity!
Jasmin: Quero ir para a Amazônia! É lá onde vou viver o resto da minha vida!
Flora: Mas e eu? Não posso deixar a casa onde vivi toda minha vida para ir me aventurar no meio do mato!
Jasmin: Você não precisa ir!
Flora: Você vai deixar sua mãe doente morando sózinha aqui?
Jasmin: Você está sendo egoísta! Você vai ficar bem, foi enfermeira a vida toda, sabe cuidar de pequenas doenças.
Flora: Você é quem está sendo egoísta minha filha, muito egoísta.
Jasmin aprontou suas malas e partiu naquela noite. Flora não aguentou ver sua única filha indo embora. Quando taxi saiu ela entrou desespero pensando na solidão que viveria daí para frente.
Desesperada pegou sua caminhonete e tentou seguir Jasmin até o Aeroporto. Porém, algo a atrapalhou. No meio da pista um homem andava com uma garrafa de uísque na mão. Flora tentou frear o carro, mas mesmo assim não conseguiu evitar que seu carro batesse no homem.
Flora(desesperada): Ai meu Deus! Será que ele está bem? Moço, moço! Acorda por favor! Ele só tem um ferimento na cabeça. Tenho um quite de primeiros socorros no carro! Vou estancar o sangue.
Flora era uma ótima enfermeira quando jovem, Ela cuidou bem do Homem e ele logo acordou e tentou se levantar, mas estava muito atordoado e sobre o efeito do álcool, não tinha muita força e seus sentidos estavam descontrolados.
Flora: Você está ficando maluco? Bêbado e andando no meio da pista! Qual seu nome?
...: Eu não sei.
Flora: Não sabe? Será que a abatida foi tão forte assim ou você ainda está sobre efeito do álcool? Vou te levar para minha casa para te examinar melhor.
...: Não encosta em mim, eu não te conheço! Quero ir para minha casa.
Flora: Casa? Você acha que tem casa? Olha suas roupas, parece que você não toma banho a dias. Deve ser um mendigo. É melhor você vir comigo.
Flora não levou o homem ao hospital com medo de ter complicações com a polícia. Tinha medo de passar os últimos anos de sua vida na cadeia e achou melhor cuidar do homem em casa.
Flora: Você pode ficar aqui, esse era o quarto da minha filha. Quando você melhorar procuraremos sua família.
...: Obrigada senhora. Mas me sinto mal por não me lembrar de nada, nem do meu nome eu sei. Mas acho que devo mesmo é ser um Zé ninguém.
Flora: Então podemos te chamar de José por enquanto. O que acha?
...: Bem adequado.
Não havia nenhum documento com aquele homem, Flora pesquisou na internet e em vários jornais por famílias de pessoas desaparecidas. Mas depois de tantas buscas em vão encarou a falsa realidade de que ele deveria ser sozinho no mundo.
Com o passar do tempo José e Flora se tornaram grandes amigos, Flora cuidava dele como se fosse sua mãe, e José era a companhia que Flora precisava. Pararam de procurar a origem dele, e quando "José" tinha alguma lembrança era relacionada ao período em que se tornou um alcoólatra, desse modo acreditaram que o seu passado deveria ser negro e que ele devia começar uma nova vida.
~~*~~
Diferente da amnésia de Erikah, a de André não foi causada por emoções, mas estas afetaram no processo de recuperação. Quando André começava lembrar do passado, principalmente de Leila, uma angústia horrível o maltratava, pois sabia que havia perdido aquela mulher, e para não sentir essa dor achou melhor não se esforçar muito para lembrar de algo que o fazia tão mal. Lembrou muitas vezes de uma criança, um menino muito parecido com ele, com seus cabelos o olhos, mas achava que fossem lembranças da sua infância, nem imaginando que seriam de um filho. Quase não saia de casa, a única coisa que gostava de fazer era ficar em seu ateliê pintando, mas agora que tinha sido chamado para dar aulas estava cada vez mais perto de conhecer seu passado. Pois naquela mesma escola onde daria aula, o seu filho estudava e com certeza iria reconhecer o pai mais cedo ou mais tarde, isso vai depender do destino.
Danielle: Aquela Carla é mesmo uma vadia!
Yumi: Não venha me dizer que você acha que ela representa perigo.
Danielle: Além de ter voltado a dar em cima do meu Felipe, soube que ela andou dando umas visitinhas na casa do professor de pintura dela!
Yumi: Eu acho que você está se preocupando demais com alguém que não representa perigo algum!
Danielle: Agora você deu para defendê-la?
Yumi: Não Dany! É porque o Pedro andou me dizendo umas coisas que eu tenho certeza que quando você souber irá mudar a sua opinião em relação a ela.
Danielle: O Pedro é amigo dela! É claro que ele vai defendê-la! Deixa de ser boba!
Yumi(rindo maliciosamente): Mas quem disse que é coisa boa?
Danielle: Hum... Agora me interessei!
Yumi: Ele me disse que ela vive em uma casa que só tem Lésbicas!
Danielle(surpresa): Nããão me digaaa! Então ela é “do outro lado”???
Yumi: Tipo assim... Ela foi criada por lésbicas, então elas devem ter educado-a para ser igual a elas, né? Pelo menos é o que os garotos pensam, e o fato de a gente nunca ter visto ela ficando com ninguém só confirma!
Danielle: É por isso que o safado do Felipe nunca deu em cima dela!
Yumi: E aí? Ainda está preocupada?
Danielle: Claro que não! Agora todas as minhas preocupações só estarão voltadas para nosso Baile de Final de Ano que está chegando!
Yumi: O tema será dado amanhã, não é?
Danielle(animada): É sim!!!
Yumi: Como sempre, vamos abalar!
Danielle: Sem sombra de dúvidas!
~~No outro dia.
Mirian: Daí, eu elaborei vários possíveis temas e mostrei ao meu pai! O meu preferido era o dos Anos 60, mas também gosto muito do Medieval e dos bailes da época que o Brasil ainda era Império! Ele vai lá na sala daqui a pouco avisar o que ele escolheu!
Cacáh não ouvia nada que Miriam dizia, estava muito pensativa nesses últimos dias e seus sonhos estavam deixando-a muito confusa. Quando não era Felipe o protagonista deles, era o seu professor de pintura ou a mulher do quadro, e ela não fazia a mínima idéia do que aquilo poderia dizer.
Mirian: Cacáh! Estou falando a um tempão e você ainda não disse nada!
Cacáh: O quê? Ai me desculpa, eu estava no mundo da lua.
Mirian: Não, não desculpo! Se fosse só hoje até que eu perdoaria, mas já faz uma semana que você está assim!
Cacáh: Ai amiga, não fica brava, por favor! Eu não sei o que está acontecendo comigo, de repente tudo que eu conheço está parecendo estranho e do nada eu começo a sentir saudades de coisas que nem eu sei o que são.
Mirian: Você está é ficando louca, isso sim! Já tocou, vamos para a sala que meu pai vai já lá contar o tema do baile!
~~Minutos depois.
Diretor Augusto: Bom dia alunos. Como todos sabem, mas um ano está chegando ao fim. Todos vocês lutaram muito para obter notas boas para continuar aqui na nossa renomada escola e dou os parabéns a todos, e sou honrado em ter na minha escola alguns dos melhores alunos do estado. Enfim, não vim fazer nenhum discurso, estou aqui apenas para divulgar o tema do nosso baile de final de ano, que será o período Imperial, vamos retratar os grandes bailes que a nobreza organizava na época que nosso país ainda era um Império. Espero ver todos vocês trajados a rigor no dia. Agora eu irei avisar as outras salas. Tenham uma boa aula.
Danielle: Adorei! Virei vestida como uma princesa! Vai ser lindo!
Yumi: Eu também adorei!
Mirian: Ai que bom, era um dos meus temas preferidos!
Felipe(rindo): O bom é que para nós homens qualquer terno tipo “pingüim” funciona.
Pedro: É um saco vestir terno! Aff!
Yumi: Mas você vai ficar lindo todo arrumadinho.
Todos na sala estavam eufóricos com os últimos dias de aula e com o baile. Mas Cacáh parecia que não estava nenhum pouco animada. E tinha vários motivos para isso, entre eles estavam os problemas que vinha passando ultimamente, o fato de não ter o que vestir em uma festa desse tipo, e o que ela não queria admitir para si mesma, mas que estava perturbando-a mais do que nunca: Ver Felipe ao lado de Danielle durante toda a festa.
Nervosa com toda aquela euforia ao seu redor e com a angústia que estava surgindo em si, Cacáh se levantou e saiu de sala.
Mirian: Cacáh, o que aconteceu? Você não está animada com o baile e tudo mais?
Cacáh(quase chorando): Eu não vou a baile nenhum!
-16 Parte- Decepção.
~~Semanas depois.
Mirian: Você tem que ir! Não acredito que você vai me deixar na mão!
Cacáh: Já falei milhões de vezes que eu não vou! Não estou a fim de... Ah deixa pra lá...
Mirian: Ah, não me diga que tem haver com o Fê!
Cacáh: O telefone está tocando...Vou atender...
Ao telefone
Felipe: E aí Cacáh? Vai pro Baile sábado que vem?
Cacáh: Ah... Acho que não.
Felipe: Não me diga isso! Eu já acho um tédio essas coisas, imagina como vai ser sem você lá! Se coloque no meu lugar, você agüentaria a Dany o tempo todo no seu pé te obrigando a dançar?
Cacáh: Então você quer que eu vá para te tirar de perto dela?
Felipe: E para me fazer companhia, é claro! Por favor, não me deixa na mão...
Cacáh(confusa): Já que você insiste tanto...
Felipe:Ah, muito obrigado Cacáh! Eu te adoro! Tenho que desligar. Abração. Tchau.
Cacáh: Tchau, até sábado.
Mirian: Até sábado??? Então só é ele pedir e você vai???
Cacáh: Aff, você ta reclamando de quê? Eu vou, e era isso que você queria, então trate de ficar feliz!
Mirian: Ele te domina completamente! Você está caída aos pés dele! Não acredito... coitada de você...
Cacáh: Ah Mirian! Nem vem com essas bobagens de novo, agora tenho que pensar em que roupa eu irei usar, só faltam dois dias!
Alex: Não se preocupe, meu amor! Tenho uma idéia!
Parecia que os planos de Cacáh de NÃO ir ao baile estavam sendo desfeitos, mas ela não sabia se isso seria bom ou ruim.
~~*~~
É chegado o tão aguardado dia, cheiro de flores, música instrumental, estátuas, fontes de água. Essas eram as paisagens e sensações causadas pelo ambiente. Mas a única sensação que Danielle queria saber era a que ela causaria quando chegasse ao salão.
Yumi: Você está linda! Perfeita! Duvido que alguém esteja melhor que você!
Danielle: Disso eu não tinha dúvidas. Você também está bem.
Yumi: Ai obrigada! Será que o Pedro vai gostar?
Danielle: Falando nisso, será que o Fê vai demorar muito? Estou louca para sair por aí desfilando com ele, seremos o casal mais lindo do baile!
Yumi: Ele vem vindo ali!
Felipe: Boa noite, princesas.
Danielle: Então meu príncipe chegou para me fazer companhia!
Felipe: Na verdade eu queria procurar logo os meus amigos, você se incomodaria?
Danielle: Claro que sim! Hoje é o NOSSO dia de brilhar! Nosso! Eu e você! Você e eu! Entendeu?
Felipe: Pois eu não estou nem um pouco afim de participar desse “nosso” aí.
Danielle: Pois espero que fique afim, já!
Felipe: Já percebi que você não quer ser princesa, quer ser uma rainha para mandar em todos. Sabe Dany, eu já estou cheio das suas ordens! Ou as coisas são do meu jeito hoje, ou nunca mais serão de jeito algum! Entendeu?
Naquele momento do outro lado do salão Cacáh chegava.
Ela estava deslumbrante, mais linda do que já era. Usava o vestido que seria dos seus quinze anos, mas que se recusou a usar, pois não queria gastar muito dinheiro com uma festa tradicional. Atrás dela todas as flores do salão pareciam mais bonitas, mas ela se destacava entre todas.
Mirian: Cacáh! Você veio! E está linda! Agora a festa está completa!
Cacáh: Que bom que você gostou, eu achei que estava brega.
Mirian: Brega? Você está perfeita! Eu adorei!
Cacáh: Mas esse vestido me deixa sem fôlego.
Mirian: Pois é Bom você recobrar o fôlego, pois o Fê está vindo em nossa direção!
Quando Felipe viu que Cacáh havia chegado deixou Danielle discutindo sozinha e foi na direção da amiga.
Felipe: Boa noite, garotas.
Mirian: Boa noite, Fê. Ei, toma de conta da Cacáh aí, pois eu vou dar uma voltinha ali, tchau.
Cacáh: Não Mirian, fica aqui, vai.
Mirian(rindo): Tchau, Cacáh!
Felipe(pegando na mão de Cacáh): Me concede esta dança?
Cacáh: Isto é uma piada? Você odeia dançar!
Felipe: Mas você adora, e se você faz sacrifícios por mim, como vim a essa festa chata, eu faço este sacrifício por você.
Cacáh já estava duvidando se aquilo era real ou seria mias um dos seus sonhos.
Cacáh: Nossa, estou impressionada, você realmente sabe dançar.
Felipe: Quando se é da minha família você é obrigado a saber todos os tipos de frescura. Mas eu também estou impressionado com você, não imaginava que você viria vestida assim.
Cacáh: Por que? Você não gostou? Eu também achei exagerado, mas minhas mães insistiram muito e acabei...
Felipe: Muito pelo contrário, você está linda.
Cacáh ficou vermelha, esperava tudo naquela noite, menos um elogio daqueles e “daquela” pessoa. Felipe também se sentia estranho, detestava dançar e lá estava ele dançando e o mais impressionante é que ele estava adorando. Sempre gostou de ficar perto da amiga, mas naquela noite ele estava perto demais e de um jeito que o fazia gostar ainda mais. Os olhos azuis de ambos não ficavam tão pertos há anos, mas da ultima vez não eram os olhos da jovem Cacáh, eram os olhinhos da pequena Erikah. Mas eles atraiam Felipe do mesmo jeito.
Felipe tentou, sem êxito, arriscar um passo de dança que só via em filmes, e pegou Cacáh de surpresa, as suas faces ficaram ainda mais próximas. Quebrando o momento de silêncio que havia se formado e nervosismo dos dois, Felipe falou:
Felipe(rindo): Você é pesada.
Cacáh: Fê! Ta me chamando de gorda?
Felipe: Não, foi mal. A culpa é minha, eu que sou fraco.
Cacáh: Se fosse, todas as meninas da escola não cobiçariam os seus “abraços”.
Felipe: Falando nisso, todos os garotos estão te olhando hoje, até eu daria em cima de você se você não fosse como é.
Cacáh: E como eu sou?
Felipe: Você é perfeita em tudo...
Cacáh quase não acreditou no que ouviu, parecia um dos seus sonhos. Aquele poderia ser o momento mais emocionante de sua vida, ela já planejava o que iria dizer e o beijo que iria dar. Mas quando Felipe completou a frase, todo aquele momento parecia ter sido despedaçado.
Felipe:...mas é uma pena você não gostar de homens.
Por um segundo o mundo de Cacáh parou. Seu coração antes acelerado parecia que tinha parado de bater, e seu sorriso transformou-se em uma expressão de ódio.
Cacáh(empurrando Felipe): Eu não acredito no que eu estou ouvindo! Você só foi meu amigo por tanto tempo por que achou que eu era lésbica? É por isso que você me tratava diferente de todas as outras? É por isso que você me chamava pra sair e fazer coisas que não fossem o normal que você faz com as outras, beijar ou transar?
Felipe estava atônito e surpreso. Não esperava aquela reação. Quando ele caiu na real do que acabara de acontecer se sentiu humilhado, não pelo fato de Cacáh está gritando na frente de todo mundo, mas sim por ser verdade o que ela dizia. Estava se sentindo um porco, sujo e asqueroso. Nunca se sentiu tão mal na sua vida e não sabia o que dizer.
Cacáh: Você é nojento, repugnante, preconceituoso! Achou que eu fosse lésbica só por que minhas mães são! Nunca se deu o trabalho nem de perguntar! Que espécie de amigo você era? Você é que nem a Danielle, você julga e acha que está certo! Vocês dois se merecem!
Felipe(quase chorando): Cacáh, eu...
Cacáh: Nunca mais fale comigo! Fique longe de mim!
Explicar os sentimentos que ambos sentiam naquele momento é uma tarefa muito complicada. Felipe estava arrasado, se sentia um idiota. Cacáh estava mais que decepcionada com um amigo, estava de coração partido, milhões de coisas se passavam em sua cabeça, e em uma tentativa, idiota, de provar para Felipe que ele estava errado sobre as opções dela, foi em direção ao primeiro garoto que viu e cometeu um grande erro.
Felipe mal pôde acreditar no que viu e no que sentiu naquele momento. Lá estava Cacáh nos braços de outro rapaz. Raiva, tristeza, ciúmes, angústia, dor, os piores sentimentos que alguém pode sentir ele estava sentido juntos. Aquela noite havia se tornado um pesadelo para ele. O dia em que ele viria que realmente estava apaixonado por alguém não poderia ser o dia em que ele perderia essa pessoa, mas era.
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-17ª Parte- Um Convite.
Mirian: Cacáh aluguei 3 filmes pra gente assistir! Uma comédia romântica, um drama e um de terror!
Cacáh: Só quero ver o de terror... De drama e comédia romântica já basta minha vida!
Mirian: Aff, você tem que esquecer aquele idiota! Não acredito que você ainda deixa as lembranças dele te incomodarem!
Cacáh(fazendo-se de desentendida): Hã? Que idiota? Não sei do que você esta falando.
Mirian: Hum, Bem melhor! E aquele gatinho que você ficou naquele dia? Você deu seu MSN pra ele?
Cacáh: Me poupe, Mirian. Eu não quero nada com aquele cara, na verdade foi só um beijo, depois que o Felipe saiu eu fui embora.
Mirian: Você não aprende mesmo! Vive em função dele!
Cacáh: Claro que não! Eu acho ele um idiota! Não falo com ele já fazem duas semanas!
Mirian: E também não sai de casa a duas semanas!
Mirian estava certa, embora Cacáh estivesse muito brava com Felipe eram outros os sentimentos que prevaleciam. Ela tentava ser forte, mas toda noite a tristeza batia na porta do seu quarto.
Mirian: O professor José perguntou por você....
Cacáh: Ele ligou para mim...
Mirian(olhando maliciosamente): HUM... Sério???
Cacáh: Mirian! Não é o que você esta pensando!
Mirian: Calma, só acho bonitinha a preocupação dele com a aluninha que mata aula!
Cacáh: 1º Estamos de Férias e as aulas de pintura são opcionais! 2º Ele nem sabe do que acontece na minha vida, ou seja, ele não está preocupado comigo, 3º Ele me ligou para fins educativos!
Mirian: Mas pintar nunca foi opcional para você, que eu me lembre era o que você mais gostava de fazer!
Cacáh: E ainda é! Amo a Arte! E por isso aceitei o convite do professor.
Mirian: Que convite?
Cacáh: Ele me chamou para a festa de inauguração do novo Museu de Simcity! Ele disse que vai ter uma exposição de novos talentos e que indicou um quadro meu!
Mirian: Que show! Adorei!!! Parabéns, Cacáh!
Cacáh: Agora você vai poder parar de encher meu saco em alguns aspectos: não pode mais dizer que eu não saio de casa, e vai poder me ajudar a escolher um vestido!
Mirian: Assim que eu gosto de ver!
~~Mansão Mayer
Para Felipe, aquelas duas semanas tinham se tornado um pesadelo, ele nunca imaginou que pudesse sentir a dor da perda daquele jeito novamente, mas dessa vez era pior, ele sabia que a culpa era dele.
Ele conhecia Cacáh o suficiente para saber que ela não aceitaria desculpas por mensagens ou telefonemas, na verdade ele nem sabia como pedi-las.
Naquela manhã, ele estava pensando no dia em que eles juraram um para o outro que nunca mais iriam brigar.
Felipe: Juras... O que é um juramento? Os casamentos são juras de amor eterno e hoje em dia não duram mais nem uma década... Eu jurei para a Erikah que nunca íamos nos separar... Eu jurei para mim mesmo que nunca ia fazer meus amigos sofrerem...Eu jurei para a Cacáh que não brigaríamos novamente... Eu sou um covarde sem palavra...
Laila(chamando): Lipeee! Uma moça linda veio te visitar!
Felipe levantou-se rapidamente da rede, a única moça linda que passou na sua cabeça naquele momento nós sabemos quem era, mas a saudação aguda e irritante de Danielle tirou toda as esperanças dele.
Danielle: Oiiiii Fê!!!
Laila: Vou deixar vocês dois sozinhos!
Felipe: Não estava te esperando...
Danielle: Não posso mais visitar meu amiguinho?
Felipe: Dany, a gente ta dando um tempo! Você tem que respeitar isso!
Danielle: Não vim como namorada, vim como amiga! Eu sei que você não esta bem...
Felipe: Isso é um progresso, antes você só conseguia prestar atenção nas suas unhas!
Danielle: Presto atenção no que é bonito!
Felipe(sendo sarcástico): Amigas não ficam cantando os amigos...
Danielle: Falando em amizades.... Não sei que amizade é essa de você com a Carla! Vocês brigam toda semana!
Felipe: Acho que essa foi a nossa última briga. Ela nunca mais vai querer falar comigo.
Danielle: Você não tem culpa de pensar o que todo mundo pensava.
Felipe: Os errados éramos nós! Nós a julgamos!
Danielle: Pelo menos agora outras coisas foram explicadas...
Felipe(confuso): Que coisas?
Danielle: As idas a casa do professor de pintura dela.
Felipe: O quê?
Danielle: Quase todo dia ela vai depois da aula na casa dele, quem me disse foi uma amiga minha que tem aula com ela. Ela disse que eles são super-íntimos.
Felipe: Não fala besteira. Ela jamais ficaria com um cara tão mais velho.
Danielle: Vai haver a inauguração do Museu Simcity, ouvi dizer que ele chamou só ela de toda a turma! Eles vão como um casal!
Felipe: Impossível.
Danielle: As vezes as pessoas fazem de tudo para conseguir o que querem...
Felipe(nervoso): Você poderia ser mais direta?
Danielle: Você é amigo dela, ou pelo menos era...Devia saber que ela daria tudo por um quadro dela exposto em algum lugar, e tipo assim, o professor dela é bem influente nessas coisas...
Felipe(com raiva): A Cacáh não é assim!
De burra Danielle não tinha nada. Ela sabia que o interesse de Felipe por Cacáh era muito maior do que de um simples amigo. Ela tinha certeza que Felipe iria ter ciúmes e se decepcionar se soubesse que sua “amiga” andava com um professor.
Danielle: Por que você não vai lá ver?
Felipe(confuso): Ela é não é desse tipo que sai com professores...
Danielle: Você nunca achou estranho o fato dela vencer todos os concursos de pinturas da escola? O tal do professorzinho dela é o principal jurado!
Felipe: Olha Danielle, eu já estou muito estressado e você ainda vem aqui só para me azucrinar? Eu pedi “um tempo” no dia do baile, você aceitou numa boa, então, por favor cumpra o que combinamos e me deixe sozinho!
Danielle: Calma amorzinho, só vim te dar um ombro amigo, mas já que você insiste eu vou pra casa...
Felipe: Tchau.
Danielle saiu com um sorriso de dever cumprido. E ela estava certa, conseguiu atiçar Felipe, ele agora não parava de pensar na possível relação de Cacáh com um professor.
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18ª Parte- No Museu
José: Que bom que você veio!
Cacáh: Não perderia por nada!
José: Você está linda
Cacáh(sem jeito): São seus olhos.
José: Você vai ficar comigo, não é?
Cacáh(confusa): O quê?
José: Você vai ficar comigo em toda a exposição , não é? Ou você está esperando mais alguém? Eu queria saber, pois estou querendo entrar logo.
Cacáh: Oh, claro! Vou só com o senhor!
José: Por favor, Carla, me chame apenas de “você”.
Cacáh(sorrindo): Desculpa, é que todo esse ambiente formal me deixa desorientada. Você não se sente assim?
José: Por incrível que pareça, sempre me senti bem em lugares assim. É estranho toda essa familiaridade já que eu acho que não freqüentava ambientes assim antigamente... Podemos entrar agora?
Cacáh: Claro.
~~Minutos antes...
Pedro: Não acredito que você me trouxe em um museu! Você ta drogado?
Felipe: Pense nisso como um jogo.
Pedro: Quem fica mais tempo sem ter sono?
Felipe: Eu preciso saber com quem nossa amiga esta andando.
Pedro: A Cacáh? Cara, ela não fala mais com a gente! E ela sabe se cuidar! Se eu quisesse brincar de espionagem eu tava olhando pela janela minha vizinha se trocando!
Felipe: Olha ela lá! Ela esta linda...
Pedro: Tem mesmo um cara com ela! Mas não da pra saber se é alguém da escola.
Felipe( com raiva): Eu não acredito, olha a altura e a barba dele! Só pode ser o professor mesmo!
Pedro: Cara, não da pra indentificar daqui, pode ser qualquer um...mas se for... o que você pretende fazer?
Felipe: Vou afastá-la daquele pedófilo, é claro!
Pedro: Esqueceu que ela não fala mais com você?!
Felipe não deu a mínima para o que seu amigo dizia, ele estava consumido pelo ciúme de ver Cacáh tão feliz saindo com outro cara, e o fato dele ser um professor só piorava as coisas.
~~Dentro do Museu
José: Seu quadro se destacou entre os outros!
Cacáh: Só tenho a te agradecer! Isso não seria possível sem sua ajuda!
José: Claro que seria, seu trabalho é perfeito! E quem tem que te agradecer sou eu.
Cacáh: Me agradecer? Pelo quê?
José: Desde que eu te conheci eu tenho me lembrado de algumas coisas do meu passado, acho que a sua semelhança com a mulher no quadro causaram algum efeito no bloqueio da minha mente.
Cacáh: Como assim?
José: Eu lembrei de flash’s da minha vida...Ainda muito vagos, mas eu sei que amava aquela mulher, e sei que ela morreu, deve ser por isso que eu me tornei um alcoólatra...
Cacáh: Que triste, José. Mas eu não entendo minha relação com tudo isso.
José: Eu também não entendo...mas...eu sei que tem algo mais...eu lembro de crianças... crianças que eu amava... De um garoto loirinho e de uma garotinha que...
De repente o rosto de José foi tomado por uma expressão de choque, sua cabeça que já estava doendo parecia latejar.
José: Eu preciso ir ao banheiro...
Cacáh: Você esta bem?
José andou rapidamente para o banheiro e não respondeu a pergunta de Cacáh.
Felipe: Boa noite.
Cacáh(assustada): O que você esta fazendo aqui?
Felipe: Deveria estar fazendo o mesmo que você, mas a diferença é que não estou saindo com um pedófilo!
Cacáh: Hã? Você é louco?
Felipe: Não se faça de doida! Ele esta te obrigando a fazer alguma coisa?
Cacáh: Olha Felipe, eu não lhe devo satisfações! E acho que deixei bem claro da última vez que nos vimos que eu não queria mais lhe ver!
Felipe: Como você pode sair com um cara que tem idade pra ser seu pai?
Cacáh(rindo em deboche): Você é ridículo.
Felipe(com raiva): Você acha isso engraçado? Não tem graça nenhuma, ridículo é o que você está fazendo!
Cacáh: Eu não estou...Ah, quer saber? Não te interessa! Eu só quero que você vá embora!
Felipe: Eu vou mesmo! Vou dar uma surra naquele cara!
Cacáh: Volte aqui Felipe!
Felipe: Olha na minha cara seu pedófilo nojento! Gosta de provar coisas de gente nova, é? Então vem provar uma surra dada por mim!
José não tinha certeza se estavam falando com ele, mas mesmo assim se virou e olhou nos olhos de garoto, olhos que eram exatamente iguais aos seus.
De repente a raiva na feição de Felipe se transformou em choque. Os dois ficaram minutos se olhando sem falar nada, até Felipe quebrar o silêncio:
Felipe: Pai?
José(sentindo fortes dores na cabeça): Oh meu Deus...
Felipe(confuso): Você esta aqui... vivo...
José(emocionado): Felipe... Oh... Felipe... Meu filho...
José não sabia se sua mente ia agüentar tantos flash’s ao mesmo tempo, e muito menos se seu coração ia agüentar tanta emoção. Ele correu e abraçou Felipe com toda sua força e desabou em lágrimas.
Felipe(quase chorando): Você nos abandonou!
José: Eu não tive escolha!
Felipe: Quem não teve escolha foi a Erikah! Ela está em um orfanato agora! Por sua causa! Eu te odeio! Me larga!
José: Não meu filho, eu não quero te largar nunca mais!
Felipe(chorando): Você acabou com a minha vida!
José: Não me julgue! Eu sofri muito esses anos! Eu não sabia...
Felipe: É claro que você não sabia! Você nunca nos procurou!
José: Eu sofri um acidente e...
Felipe estava muito abalado, uma confusão de emoções estava deixando-o louco. Por um lado a felicidade de ver seu pai de novo, vivo! Por outro, a raiva de saber que ele estava vivo e os abandonou, ocasionando a separação dele com Erikah.
Sem saber o que sentia e o que fazer, soltou-se dos braços do pai e correu para longe.
José(correndo atrás): Felipe!
~~Enquanto isso, do lado de fora do banheiro.
Cacáh(pensando): O que eles estão fazendo lá dentro! Estão demorando muito... Será que o Fê vai bater no José? Ai meu Deus, e se o José bater no Fê?
Quando Cacáh menos esperava Felipe sai correndo do banheiro e segundos depois José sai correndo atrás dele. Ela fica desesperada sem entender tudo aquilo, a primeira coisa que passou em sua cabeça foi que algo ruim fosse acontecer e saiu correndo atrás deles.
Todas as pessoas no museu ficaram assustadas ao ver aquela cena, não era todo dia que se via 3 pessoas praticamente adultas correndo em um museu uma atrás da outra.
Mas o que todas aquelas pessoas não imaginavam era que algo terrível estava para acontecer.
Na hora de descer as escadarias, Cacáh conseguiu o que queria, parou José e Felipe. Infelizmente isso não aconteceu da maneira certa. Descer uma escada correndo e de salto alto não foi uma boa idéia. Cacáh virou o pé e rolou escada a baixo em uma queda violenta.
Felipe(desesperado): Cacáh! Oh meu Deus! Me diz que você esta bem! Alguém me ajude!
José(nervoso): Ela ta sangrando...
Cacáh(tonta): Fê...
Felipe: Calma, vai ficar tudo bem...
José: Ela está sangrando muito, temos que chamar uma ambulância!
Cacáh(apagando): Fê, não brigue com ele...
Felipe: Ninguém aqui vai brigar.
Cacáh(desmaiando): Fê...Eu...
Felipe: Cacáh? Cacáh?
Felipe(em pânico): Não me deixe... Eu te amo... Alguém me ajude!
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19ª Parte- Muita informação
~~Hospital Renascer.
Felipe: Eu não sei se eu vou aguentar perder ela também...
André: Calma, meu filho... Ela vai ficar bem.
Felipe: Filho? Você desistiu de ser meu pai, lembra?
André: Lembranças... Eu vou ter que repetir que não lembro de muita coisa?
Felipe: Eu já estou estressado demais com tudo isso, vamos nos falar outra hora, ok? Telefonar para as mães dela não foi muito legal, fiquei muito angustiado...
André: Sinto muito...
Antes desse dia André sentia como se sua vida estivesse no rumo errado. Muito pouco havia mudado, ele sentia-se mais confuso do que nunca e tudo em sua volta era motivo para lembranças que eram adicionadas ao coquetel de imagens que formava-se em sua cabeça.
André: Eu já estive aqui antes...
Felipe(confuso): Você realmente não lembra?
André: Pensando bem... Eu já estive muitas vezes aqui...
Felipe: Tia Leila trabalhava aqui...
André(emocionado): Leila... Oh... Quanto tempo que eu não dizia esse nome...
André não conseguiu esconder uma lágrima. Aquela cena deixou Felipe atordoado, agora ele tinha certeza que seu pai não estava mentindo. Ele estava realmente sofrendo, e pensar no quanto tudo aquilo foi duro para ele fez com que Felipe visse tudo com outros olhos.
Depois de dar um forte abraço em seu pai e pedir desculpas por tudo que disse, Felipe ouviu toda a história de André.
Felipe: Se a gente tivesse se cruzado antes nada disso teria acontecido...
André: Tudo na vida tem uma razão, meu filho... Se não aconteceu é por que não era pra ser...
Felipe: Não concordo com essa sua teoria... Ela me faz ter raiva da vida, não aceito o fato de perder todas as pessoas que eu amo só por que “a vida quis assim”.
André: Felipe... Eu perdi a pessoa que eu amava, você não. Ela está bem aqui nesse hospital e vai ficar bem.
Felipe: Mas... A Erikah... Ela nunca vai voltar...
André: Felipe, eu quero que você seja forte e coerente, não entre em pânico.
Felipe: Não estou entendendo.
André: A quanto tempo você conhece a Cacáh?
Felipe: 8 meses...
André: Ela tem quantos anos?
Felipe: Fez 16 recentemente...
André: O que você sabe sobre a vida dela?
Felipe(com raiva): O que é isso? Você quer que eu lhe prove que eu gosto dela?
André: Não é isso que eu quero provar... Apenas me responda.
Felipe(confuso): Ela foi adotava, ela não lembra muito bem da infância e evita comentar sobre o assunto, ela adora pintar, tocar piano, sabe falar francês, mas nem lembra como aprendeu todas essas coisas, mas o que eu gosto nela não é um talento específico, eu gosto do modo como ela ver a vida, ela tem um coração maravilhoso, é alegre divertida, acredita em mim, ou pelo menos acreditava...
André: Quando eu conheci Cacáh eu tinha certeza que já a conhecia. Quando eu pintei um quadro de Leila apenas usando imagens dos meus sonhos a Erikah disse que conhecia aquela mulher. Elas não se parecem fisicamente, não tem a mesma cor dos olhos ou cabelos... Mas elas são iguais.
Felipe: Eu não estou entendendo, vocês está comparando a Cacáh com a Leila?
André: Isso não faz nenhum sentido pra você?
De repente o coração de Felipe acelerou. Lembrou de sua tia sorrindo, da cara que ela fazia quando estava decepcionada quando ele quebrava algum brinquedo, de como ficava vermelha ao receber um elogio, dos gestos que ela fazia com as mãos, com os pés, com a cintura... Lembrou que Erikah adorava imitar a mãe e que dizia que quando crescesse ia ser igualzinha a ela, que seria médica, linda, e que pintaria o cabelo de vermelho, ah, ela era revoltada por ser ruiva. Essa ultima lembrança o fez rir. Outras lembranças apareceram de intrometidas no meio daquelas, lembranças mais recentes... Essas tiraram o sorriso do rosto de Felipe, mudando suas feições para o espanto.
Felipe lembrou de Cacáh, do modo como andava, seus gestos, seu sorriso, lembrou dela dizendo que seu sonho era ser médica, que não havia profissão mais bonita, lembrou de quando ela disse que pintaria seu cabelo de vermelho e ele a repreendeu chamando-a de linda pela primeira vez...Não, aquela não tinha sido a primeira vez.
Felipe(inquieto): Não pode ser... Muita coisa não faz sentido... Você realmente acha que...
André: As lembranças embaçadas que eu tinha toda noite, as duas crianças me abraçando... Quando eu te vi tudo ficou nítido e...
Felipe: Eu não quero deduções! Você não vê a seriedade desse assunto??? Existem muitas pessoas parecidas no mundo! A Erikah lembraria de mim se me visse, ela não fingiria ser outra pessoa!
André: Talvez ela também tenha perdido a memória...
Felipe: Agora virou moda? Todo mundo some e perde a memória! Isso não é um filme tosco onde o autor quer separar os personagens e tira a memória de todo mundo!
No fundo, Felipe via sentido em tudo aquilo, ele só não acreditava em como não tinha visto antes, como não tinha pensado em tudo aquilo. O coração dele já tinha certeza, mas a mente dele o confundia.
Drª Ana: Boa noite, vocês são os acompanhantes de Carla Lira?
Felipe: Como ela está?
Drª Ana: Ela está se recuperando, qual o grau de parentesco dela com vocês?
Ele gostaria muito de saber responder aquela pergunta, ele gostaria muito de gritar e ter certeza da resposta que estaria dando.
Quebrando os pensamentos que formavam-se nas cabeças de André e Felipe, duas vozes desesperadas entram no hospital.
Michelle: Carla Lira? Ela é minha filha!!! Como ela está?
Alex: Diga que ela está bem, por favor! Nunca vamos nos perdoar se algo tiver acontecido a ela!
Quando Felipe viu as “mães” de Cacáh, ele percebeu que teria muito mais problemas pra enfrentar do que imaginava. Ele esperava respostas, soluções, resultados, mas percebeu que teria que resolver e decifrar várias equações para conseguir aquilo. Em uma conta matemática que envolve vários termos, operações e incógnitas, você tem que ter paciência e resolver parte por parte antes de chegar a uma resposta. Mas a diferença daquela situação com a matemática era evidente. Matemática é uma ciência exata, a vida não.
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20ª Parte: Reencontro nada agradável.
Havia uma resposta que necessitava de mais urgência do que qualquer outra. “Estaria Cacáh bem?”. Ao pensar na possibilidade da resposta ser negativa, Felipe esqueceu por alguns minutos de toda a confusão que se passava em sua cabeça e se concentrou apenas no que a médica falava.
Drª. Ana: Foi uma queda feia, ela perdeu muito sangue e fraturou alguns ossos.
Alex(nervosa): Mas ela vai ficar bem?
Drª. Ana: Ela vai ter que ficar de cama por algumas semanas. E fazer terapia para voltar andar como antes. Mas não se preocupem, ela vai ficar bem e até que as aulas voltem ela já vai estar andando.
Michelle: Graças a Deus!
Alex: Podemos vê-la?
Drª. Ana: Uma pessoa de cada vez.
Michelle: Eu vou primeiro!
Felipe e André ficaram aliviados com a notícia, embora seus corações estivessem com o coração apertado por não poderem vê-la primeiro.
De repente Felipe foi consumido pela situação anterior. Sem pensar duas vezes Felipe fitou Alex e resolveu que teria que tirar parte daquele aperto do coração.
Felipe: Alex... Eu quero falar com você.
Alex: Você vai me contar tudo o que aconteceu, rapaz! Toda vez que minha filha se machuca, seja fisicamente ou psicologicamente, você está envolvido!
André: O Felipe não teve culpa de nada, foi um acidente.
Alex: Me desculpa se fui grossa... Estou muito nervosa...
Felipe: Eu entendo você...
Alex: Você não imagina como é terrível essa sensação de impotência! Saber que sua filha está no hospital e que você não pôde fazer nada que evitasse que ela tivesse se machucado.
André: Eu entendo muito bem como você se sente. Mas a culpa foi minha, eu era responsável por ela, prometi que a levaria para casa bem.
Felipe(inseguro): Alex... Eu quero falar com você.
André(nervoso): Não, Felipe! Você tem que ir para casa!
Felipe: Eu tenho que falar com ela! Você não entende?
André: Hoje não! Você está nervoso com tudo isso, é melhor ir para casa e por os pensamentos em ordem.
Alex(confusa): Olha, Felipe. Você pode visitá-la amanhã, aí você fala comigo.
Felipe(gritando): Não! Eu quero vê-la hoje!
Cansado, extressado, triste, confuso, nervoso. Felipe estava esgotado. Toda aquela situação havia deixado-o fora de controle. Porem, gritos e hospital eram coisas que não podiam coexistir. Um Mayer deveria saber disso mais do que qualquer outra pessoa, há gerações que aquela família era renomada no setor da medicina e Felipe convivera com aquele ambiente toda a sua vida, primeiro com a tia, agora com o padastro.
Enfermeira: Eu vou ter que pedir para você se retirar, Felipe. Este é um ambiente que exige silêncio e você já passou dos limites a muito tempo, não é a primeira advertência que você leva e pelo que me consta você não é familiar da garota. Já liguei para o Dr. Derik Mayer e ele está chegando para te pegar.
Felipe: Você não tinha o direito de ligar para ele!
Enfermeira: Eu trabalho com seu padastro já fazem 3 anos e sei que ele e sua mãe devem estar preocupados com você, já são 2h da madrugada.
André(cochichando para Felipe): Não vai ser uma boa idéia se sua mãe ou o Derik me virem aqui.
Felipe: Que droga! Quanto tempo faz que você ligou para eles?
Enfermeira: Eles já devem estar chegando.
A enfermeira mal havia terminado de falar quando o casal Mayer entrou as pressas no hospital
Laila(gritando): Felipe! Você quer me matar do coração!?
Dérik: Amor, nós estamos num hospital, silêncio!
Felipe: Vocês não precisavam ter vindo, não é a primeira vez que não dou notícias e vocês nunca se importaram!
Dérik: Ligam de um hospital de madrugada e você não quer que fiquemos preocupados?
Felipe(preocupado): Vamos embora logo! Temos muita coisa pra conversar!
Laila: Temos mesmo! Quem era a garota que você estava acompanhando?
Alex: Era a minha filha, seu filho foi um cavalheiro em trazê-la para aqui.
Quando Laila se virou para falar com Alex sua visão cruzou com a imagem de André. Mesmo tentando esconder o rosto, foi inevitável que ela o reconhecesse. Uma mistura de ódio e surpresa formou a expressão da mulher que parecia que tinha visto um fantasma.
Laila: Não pode ser! Não adianta tentar esconder sua cara, seu imundo! Eu te reconheceria até se você estivesse com uma máscara! Seu abandonador de menores! Felipe, é ele! Olha! É ele!
Felipe: Oh, não...
Dérik: Olha o escândalo, Laila!
André: Eu não abandonei ninguém!
Laila: Você deveria ser preso! Preferia acreditar que você estivesse morto do que saber que você abandonou meu filho! Eu quase o perdi por sua causa!
André: A única pessoa que abandonou a Família aqui foi você! Você não sabe o que aconteceu comigo! Eu não tive escolhas! Você tinha! Você ficou 7 anos sem dar notícias, sem querer saber do seu filho!
Laila: Eu vou matar você!


















































































